Ciganos na Umbanda

CIGANOS NA UMBANDA

Os Espíritos Ciganos são também, uma linha de trabalhos espirituais que busca seu espaço próprio, pela força que demonstram em termos de caridade e serviços a humanidade. Seus préstimos são valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual, e tem seu alicerce em entidades conhecidas popularmente com “encantadas”.

São entidades que há pouco tempo ganharam força dentro dos rituais da Umbanda. Erroneamente no começo eram confundidos com entidades espirituais que vinham na linha dos Exus, tal confusão se dava por algumas ciganas se apresentarem como Cigana das Almas, Cigana do Cruzeiro ou nomes semelhantes a esses utilizados por Exus e Pombas-Giras. Hoje, o culto está mais difundido, se sabe e se conhece mais coisas sobre essas entidades, chegando algumas casas a terem um ou mais dias específicos para o culto aos espíritos ciganos.

Não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual, como dissemos; se apresentam também em rituais do tipo mesa branca, Kardecistas e em outros rituais específicos de culto à natureza e todos os seus elementos, por terem herdado de seu povo, o cigano, o amor incondicional à proteção da natureza. Encontraram na Umbanda um lugar quase ideal para suas práticas por uma necessidade lógica de trabalho e caridade. Sabidamente, a cultura Oriental é muito mais antiga e avançada do que a existente no ocidente. Surgiu no Oriente os primeiros sábios, a medicina avançada, o misticismo. Enfim, Oriente é sinônimo de conhecimento.

Como a Umbanda é uma religião que oferece a todos os espíritos a oportunidade de se manifestar e servir a caridade, é na Linha do Oriente que se manifestam espíritos que, quando encarnados, professavam outras crenças, como por exemplo, o Budismo, Xintoísmo, Hinduísmo, Islamismo, antigas religiões egípcias, etc. Espíritos que, apesar de continuarem vinculados àquela fé, aceitaram adentrar à seara umbandista e, em nome da caridade e do amor ao próximo, manifestam-se nos terreiros, trazendo seus conhecimentos para a cura, para o ensinamento e para o conforto.

Há registros de manifestação de entidades da Linha do Oriente na Tenda Nossa Senhora da Piedade, casa mater da Umbanda. Todavia, são poucas as casas que trabalham com essa Linha. Na doutrina seguida pela Tenda de Umbanda Filhos da Vovó Rita, a Linha do Oriente integra uma das Sete Linhas de Umbanda. Sendo assim, são realizadas sessões de desenvolvimento nessa Linha durante o ano. Os espíritos que se manifestam nessa Linha, são espíritos calmos, discretos, que pouco falam. Espíritos que não se utilizam de bebida ou de fumo. Quando falam, proferem frases curtas e cheias de enigmas. Alguns, preferem escrever para deixar suas mensagens. Nessa Linha os atabaques são batidos de forma mais lenta e suave. Uma sensação de paz interior e elevação invade o terreiro e os filhos.

Da Linha do Oriente também podem vir pretos velhos, marinheiros, ciganos e ciganas, entidades conhecedoras do antigo esoterismo e magia.

É bastante difundido entre os terreiros que trabalham com essa Linha, a existência de uma divisão entre falanges. A título de curiosidade, tal divisão compreende:

01 – Falange dos Indianos:

Espíritos de antigos sacerdotes, mes­tres, yogues, hindús, etc. Um de seus mais conhecidos inte­gran­tes é Ramatis. Está sob a chefia de Pai Zartú.

02 – Falange dos Árabes e Turcos:

Espíritos de mouros, guerreiros nôma­des do deserto (tuaregs), sábios marroquinos, etc… A maioria é mu­çulmana. Está sob a chefia de Pai Jimbaruę.

03 – Falange dos Chineses, Japoneses, Mon­góis e outros Povos do Oriente:

Espíritos de chineses, tibetanos, japoneses, mongóis, esquimós, etc. Está Sob a chefia de Pai Ory do Oriente.

04 – Falange dos Egípcios, Maias, Aztecas, Incas, Toltecas:

Com exceção dos egípcios, os outros povos não são propriamente do Oriente, mas representam antigas civilizações da humanidade.Estão sob a chefia de Pai Inhoaraí.

O5 – Falange dos Índios Caraíbas:

Não são do Oriente, mas também representam civilizações antigas. Espíritos de xamăs, chefes e guer­rei­ros destes povos. Sob a chefia de Pai Itaraiaci.

06 – Falange dos Europeus:

Também năo săo propriamente do Oriente, mas inte­gram esta Linha que é bas­tante sincrética. Espí­ri­­tos de sábios, ma­gos, mestres e velhos gue­rreiros de origem européia: romanos, gau­leses, ingleses, es­can­dinavos, etc. Sob a che­fia do Impe­rador Marcus I.

07 – Falange dos Médicos e Sábios:

Também, é atribuída a chefia dessa Linha à São João Batista, conseqüentemente, à Xangô, Orixá ao qual é sincretizado. Como visto acima, a Linha do Oriente é composta por espíritos de diversas origens e crenças. Magos, Sábios, Guerreiros, Xamãs, Ciganos, Médicos, etc. Todos são espíritos que se manifestam em nome da caridade e amor, auxiliando os irmãos encarnados, independentemente do nome que eles dêem a Deus. São na verdade, trabalhadores da Luz Universal. Os espíritos desta Falange săo especiali­zados na arte da cura, que é integrada por médicos de diversas origens e conhecimentos. Também são chamados de “Doutores do Espaço”. Estão sob a chefia de José de Arimatéia.

Suas oferendas são simples. Costumam levar água mineral, flores, incensos e velas brancas e/ou Lilás. A oferenda vai variar da origem do espírito, que, nesse caso, se for necessário, passará o que deve ser utilizado.Sua saudação também é simples: “Salve o Povo do Oriente! Salve o Povo da Cura!”

Na Umbanda passaram a se identificar com os toques dos atabaques, com os pontos cantados em sua homenagem e com algumas das oferendas que são entregues às outras entidades cultuadas pela Umbanda. Encontraram lá, na Umbanda, uma maneira mais rápida de se adaptarem a cultos e é por isso que hoje é onde mais se identificam e se apresentam.

São entidades oriundas de um povo muito rico de histórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram nos séculos XIII, XIV, XV e XVI. Tem na sua origem o trabalho com a natureza, a subsistência através do que plantavam e o desapego as coisas materiais.

Dentro da Umbanda seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas para centralização da força espiritual. São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças com vinho ou com água, doces finos e frutas solares. Trabalham também com as energias do Oriente, com cristais, incensos, pedras energéticas, com as cores, com os quatro sagrados elementos da natureza e se utilizam exclusivamente de magia branca natural, como banhos e chás elaborados exclusivamente com ervas.

Diferentemente do que pensamos e aprendemos, raramente são incorporadas, preferindo trabalhar encostadas e são entidades que devem ser cultuadas na direita, pois quando há necessidade de realizarem qualquer trabalho na esquerda, são elas que se incumbem de comandar as entidades ciganas que trabalham para este fim, por isso, não precisam de assentamentos. Por isso tudo fica evidenciado que são entidades que trabalham exclusivamente para o bem. Santa Sarah Kali é sua orientadora para o bom andamento das missões espirituais. Não devemos confundir tal fato com Sincretismos, pois Santa Sarah é tida como orientadora espiritual e não como patrona ou imagem de algum sincretismo.

Ciganos na Umbanda, são espiritos desencarnados homens e mulheres que pertenceram ao povo cigano. Os ciganos em geral, tem seus rituais especificos e cultuam muito a natureza, os astros e ancestrais. A santa protetora do povo cigano é “Santa Sara Cali”. Dentro da Umbanda, trabalham para o progresso financeiro e para as causas amorosas. Cheios de simpatias espitiruais, os espiritos ciganos trabalham para a cura de doenças espitiruais. Os ciganos, dentro da ritualistica umbandista, falam a língua “portunhol”, alguns, poucos, falam o romanês, língua original dos ciganos. As incorporações acontecem geralmente em linha própria, mas nada impede que eles possam a vir trabalhar na linha de Exú.